domingo, 12 de fevereiro de 2012

# 22 - As Cinco Vias


Olá pessoal!

As cinco vias são os modos de demonstração da existência de Deus formuladas por Santo Tomás de Aquino na sua maior obra: Suma Teológica.

1ª via - Primeiro Motor Imóvel:
O movimento que existe no mundo foi gerado por outro movimento. Seguindo a cadeia até o princípio, chega-se ao primeiro agente que gerou movimento mas não foi movido: Deus.

2ª via - Primeira causa não causada:
Todo efeito tem uma causa. Seguindo a cadeia até o princípio, chega-se à primeira causa da cadeia de causalidade do mundo: Deus, a causa não causada.

3ª via - Ser necessário:
Tudo no mundo é contingente: pode deixar de existir. Para tanto, deve haver um ser necessário, o qual não pode deixar de existir, que sustenta o mundo contingente.

4ª via - Ser perfeito:
Tudo no mundo possui diferentes graus de qualidade. Um objeto pode ser melhor do que outro objeto em algum aspecto para alguma finalidade, uma faca pode cortar melhor do que outra faca. Porém, há algo que tem o grau máximo de perfeição de ser: Deus.

5ª via - Causa final:
Tudo tem uma finalidade, que é a causa final. A finalidade última de tudo é Deus, que, através desta, ordena o mundo.

Abraço, e até a próxima!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

# 21 - A proposição


Olá, pessoal!

Nesta filmagem, falo sobre o conceito de proposição.

A proposição é o modo linguístico como falamos do mundo. O mundo é composto de fatos, os quais são um estado de coisas que se apresenta a nós. Não precisa se apresentar para ser fato, pois o fato de haver uma árvore no Japão não está presente e ainda é um fato.

Então tenho o fato a casa é grande. Se eu emitir a proposição "A casa é grande" e, de fato, a casa for grande, então estou falando a verdade. Se eu disser que a casa não é grande, então estou falando uma falsidade. Observe também que os elementos dentro da proposição também vão corresponder a elementos do fato. O sujeito da proposição casa corresponde à coisa casa, a qual está na relação do fato. O predicado grande corresponde à propriedade da coisa casa de ser grande, mesmo que esse elemento não seja uma coisa física e, sim, uma propriedade.

Verdadeiro e falso são valores de verdade da proposição. A proposição pode ser verdadeira ou falsa, conforme a correspondência com fato. Se há correspondência, então é V. Se não há, então é F. Então posso definir a verdade como correspondência entre proposição e fato. Não obstante, existem outras definições de verdade noutras correntes da filosofia.

Felicidades e até a próxima!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

# 20 - Lógica e epistemologia


Olá, pessoal!

Em primeiro lugar, lembro a todos que minha intenção é expor o conteúdo de forma introdutória. Se a exposição do vídeo for confusa, tento esclarecer pelo resumo escrito ou por comentários.

A lógica tem mais de uma definição. Primeiro, a lógica é as leis do pensamento. O pensamento que faz sentido tem que obedecer certas leis para não cair em contradição, o que o torna ininteligível. O primeiro princípio da lógica exposto pela história é o Princípio de Não-Contradição, ou PNC, de Aristóteles. Ele diz que não existe algo que possa ser e não ser ao mesmo tempo e sob mesmo aspecto. Então quando expresso uma proposição, ela tem que obedecer esse princípio. Não posso dizer que "está chovendo e não está chovendo". Seria uma proposição contraditória. A proposição tem que ter uma consistência lógica dentro de si. Depois, a proposição tem que ter uma consistência lógica com outras proposições. "Está chovendo e não está chovendo" é uma proposição composta de duas proposições: "está chovendo" e "não está chovendo", e elas tem uma incompatibilidade lógica. Portanto o conjunto das proposições "está chovendo" e "não está chovendo" tem uma inconsistência lógica. Agora, se emito a proposição "Está chovendo e o Brasil perdeu a copa", tenho uma proposição consistente e composta de duas proposições "está chovendo" e "o Brasil perdeu a copa", as quais são compatíveis entre si e, portanto, o conjunto que contém as duas proposições tem consistência lógica. Esses mecanismos lógicos não dependem da verdade ou falsidade da proposição. As proposições "está chovendo" e "o Brasil está na África" são compatíveis, pois não ferem nenhuma lei lógica.

Outra definição de lógica é ciência da inferência. Inferência é a extração de uma terceira proposição vinda de outras duas. Se digo que "Todo homem é mortal" e "Sócrates é homem" então posso extrair a proposição "Sócrates é mortal". Também posso chamar isso de dedução ou silogismo. Nesse aspecto, a finalidade da lógica é a manutenção e conservação da verdade. Mas explico melhor isso noutro vídeo.

Também falamos um pouco de epistemologia, que também é conhecida como teoria do conhecimento. Epistéme, do grego, significa ciência, conhecimento. Então a epistemologia é o estudo sobre o conhecimento. Uma melhor definição é o estudo sobre as condições de possibilidade do conhecimento. Como posso conhecer o mundo externo? Aparece-me aos sentidos sensíveis, mas eles não podem falhar?

Qualquer dúvida, pergunta nos comentários. Abraço!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

# 19 - Os pré-socráticos


Amigos, estou com dificuldade ultimamente de reunir o pessoal da faculdade para gravarmos a filmagem no boteco como tradicionalmente acontece. Erich, grande amigo, mudou-se para Bagé e raramente vem para a capital, outros estão atarefados com seus mestrados ou doutorados, outros envolvidos com seus trabalhos e outros, simplesmente, não vão com minha cara. Assim que puder, ainda que demore, postarei filmagens com eles no boteco novamente. Por enquanto, vou postar filmagens solo em formato de aula para o brog não ficar a ermo.

Os pré-socráticos são os filósofos que antecederam Sócrates, uma das três grandes cabeças da filosofia na Grécia antiga (com Platão e Aristóteles). Eles mediaram a transição da Grécia mítica à filosófica, efetivada com Sócrates. São, basicamente, quatro escolas:

Milesianos (Tales, Anaximandro e Anaxímenes): procuram o elemento básico que constitui todas as coisas materiais.

Eleatas (Parmênides, Zenão e Melisso):o ser, em sua totalidade, é uno e imóvel. A multiplicidade de coisas vistas assim como o movimento delas são ilusões da mente.

Pitagóricos: os números são o fundamento do mundo, todas as coisas são números ou derivadas de números. Acreditam nisso por causa da harmonia do mundo e da harmonia dos números.

Atomistas (Demócrito, Leucipo): o mundo é composto de átomos. É semelhante ao paradigma materialista da atualidade. Os átomos andarilham pelo universo, unem-se e compõe os objetos materiais.

Também temos dois grandes pensadores avulsos, sem escolas:

Heráclito: antagonista teórico de Parmênides, ele acreditava que tudo flui, tudo muda constantemente e nada é o mesmo do que o instante anterior. O elemento básico para ele é o fogo: pois destroi e muda as coisas.

Empédocles: uniu a filosofia de diversos deles. As coisas são compostas por quatro elementos fundamentais: água, ar, terra e fogo. O movimento das coisas é explicado por dois princípios Amor (união) e Ódio (repulsa).

Até a próxima!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

# 18 - Filosofia oriental

Alô, moçada! Agora falamos de filosofia oriental.

No início, questionamos se a filosofia oriental pode ser chamada com propriedade de filosofia, já que, tecnicamente, filosofia designa o nascimento do crédito sobre a razão para explicar o mundo na Grécia antiga. Na filosofia grega, a qual é paradigma da filosofia ocidental em geral, a razão é instrumento mestre para apreender a verdade. A filosofia oriental desacredita na razão enquanto meio para apreender a verdade essencial do mundo. Para tanto, a intuição parece ter um papel muito mais importante.

Posteriormente, adentramo-nos na própria filosofia oriental. A ocidental normalmente é dualista. Isso quer dizer que existem dois princípios de ordem diferente e que se interagem: a mente (ou a alma) e o corpo, o sujeito e o objeto, o Eu e o mundo. A oriental ultrapassa esse modo de pensar: o Eu e o mundo estão misturados e são um. Essa separação feita pela ocidental é causa de sofrimento através do desentendimento da essência única e interdependente do mundo: o sujeito e o objeto são um.

Depois conversamos sobre como a filosofia oriental entende o mundo "colorido" que nos aparece: é de verdade ou é uma ilusão? A árvore que vejo é ôntica (real) ou é um dado da "Matrix"? Independente da reposta, a filosofia oriental é subjetivista. Ou seja, o modo como vejo o mundo é uma verdade e outra pessoa pode ter outro modo de ver o mundo: não há uma verdade absoluta, a qual é "a menina dos olhos" da filosofia ocidental.

Convidado: Luis Paulo Dull Junior - (email: jrdull@hotmail.com) Conselheiro Tutelar de Porto Alegre e recandidato ao mesmo cargo (número 08980). Mais informações: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/conselhos_tutelares/
votação dia 10 de Abril.

Parte 1


Parte 2

domingo, 19 de dezembro de 2010

# 17 - Metafísica


Vou tentar não definir coisa alguma "definitivamente" porque meu colega e eu temos definições diferentes sobre o tema. Começamos o vídeo tentando achar uma apropriada definição de metafísica. Tradicionalmente, metafísica é a ciência do ser enquanto ser. Isso quer dizer que é uma ciência que abrange todo o escopo do ser e não, como nas ciências normais, apenas em relação a uma parte do ser (como a psicologia estuda a mente e a geologia estuda a terra). Porém, na modernidade, a metafísica foi desacreditada enquanto ciência e a acepção de ciência veio a ser a que se tem atualmente. Para Kant (1724-1804), quando a metafísica deixa de ser ciência, então seu conteúdo não pode ser conhecimento, pois o conhecimento é resultado da ciência. Numa definição etimológica, pode-se entender metafísica (meta + física = além da natureza) como o estudo sobre o que há além dos dados sensíveis. Estes, os dados sensíveis, são objeto de estudo das ciências. Exemplo de coisas que não são objeto de estudo da ciência e sim da metafísica: Deus, alma, liberdade, causalidade. A causalidade, por exemplo, é pressuposta pela ciência.

Posteriormente, discutimos sobre a relação da religião com a metafísica. Cada religião tem seu sistema de metafísica (tais deuses e tais anjos). A questão que viemos a nos ater foi se, desse sistema de metafísica, poder-se-ia derivar um código de ética. Ou se o código de ética é independente do sistema de metafísica.

Feliz Natal e feliz ano novo! Até ano que vem! Om mani peme hung!

domingo, 17 de outubro de 2010

# 16 - Ceticismo (ou Pirronismo)


Olá, querido amigo do saber! Nesta postagem, debatemos sobre o ceticismo. Esse termo vem do grego skepsis, que significa 'busca'. Skepticós, que deriva o termo 'cético', é o buscador. No caso, estamos falando da verdade. Diferentemente do que muitos pensam, o cético não acredita e tampouco não não acredita. Sua doutrina fundamental é a de que o conhecimento é impossível, qualquer que seja o tipo de conhecimento. Por exemplo, ele não acredita na existência de Deus e não acredita na inexistência de Deus. Sua atitude perante o saber é a de suspensão de juízo, ou seja, não acreditar em coisa alguma. Essa atitude deriva a ataraxia, ou tranquilidade. A suspensão de juízo no ceticismo cobre aspectos dos fatos e da moralidade. Não posso dizer que tal coisa é verdadeiro ou falso e, tampouco, certo ou errado. O argumento principal do cético sobre a impossibilidade de saber é o de que nossa mente não tem alcance suficiente para qualquer conhecimento. Descartes afirmava que a propriedade essencial do conhecimento é a indubitabilidade. Se é conhecimento, então é indubitável. Para o cético, todo conhecimento é dubitável, inclusive os sobre dados sensíveis.

Na filosofia, para ser conhecimento, deve haver uma justificativa. Tenho de responder o por quê. Outro argumento, aparentemente fatal, do cético para a impossibilidade do saber é o do trilema da justificativa. São três demonstrações de que a resposta à pergunta por que? é vazia e irracional.

Regresso ao infinito: Afirmo que a. Por que a? Por b. Por que b? Por c. Por que c? Por d. ...
ad infinitum.
Circularidade: Afirmo que a. Por que a? Por b. Por que b? Por c. Por que c? Por a.
Dogmatismo: Afirmo que a. Por que a? Por b. Por que b? Por c. Por que c? Não tem por quê: é um dogma.

Participação:
Joel Pereira, licenciado em filosofia - UFRGS
Mariana Neumann - historiadora e arqueóloga - UFRGS
Leandro de los Santos, licenciado em filosofia - UFRGS