quarta-feira, 24 de agosto de 2011

# 20 - Lógica e epistemologia


Olá, pessoal!

Em primeiro lugar, lembro a todos que minha intenção é expor o conteúdo de forma introdutória. Se a exposição do vídeo for confusa, tento esclarecer pelo resumo escrito ou por comentários.

A lógica tem mais de uma definição. Primeiro, a lógica é as leis do pensamento. O pensamento que faz sentido tem que obedecer certas leis para não cair em contradição, o que o torna ininteligível. O primeiro princípio da lógica exposto pela história é o Princípio de Não-Contradição, ou PNC, de Aristóteles. Ele diz que não existe algo que possa ser e não ser ao mesmo tempo e sob mesmo aspecto. Então quando expresso uma proposição, ela tem que obedecer esse princípio. Não posso dizer que "está chovendo e não está chovendo". Seria uma proposição contraditória. A proposição tem que ter uma consistência lógica dentro de si. Depois, a proposição tem que ter uma consistência lógica com outras proposições. "Está chovendo e não está chovendo" é uma proposição composta de duas proposições: "está chovendo" e "não está chovendo", e elas tem uma incompatibilidade lógica. Portanto o conjunto das proposições "está chovendo" e "não está chovendo" tem uma inconsistência lógica. Agora, se emito a proposição "Está chovendo e o Brasil perdeu a copa", tenho uma proposição consistente e composta de duas proposições "está chovendo" e "o Brasil perdeu a copa", as quais são compatíveis entre si e, portanto, o conjunto que contém as duas proposições tem consistência lógica. Esses mecanismos lógicos não dependem da verdade ou falsidade da proposição. As proposições "está chovendo" e "o Brasil está na África" são compatíveis, pois não ferem nenhuma lei lógica.

Outra definição de lógica é ciência da inferência. Inferência é a extração de uma terceira proposição vinda de outras duas. Se digo que "Todo homem é mortal" e "Sócrates é homem" então posso extrair a proposição "Sócrates é mortal". Também posso chamar isso de dedução ou silogismo. Nesse aspecto, a finalidade da lógica é a manutenção e conservação da verdade. Mas explico melhor isso noutro vídeo.

Também falamos um pouco de epistemologia, que também é conhecida como teoria do conhecimento. Epistéme, do grego, significa ciência, conhecimento. Então a epistemologia é o estudo sobre o conhecimento. Uma melhor definição é o estudo sobre as condições de possibilidade do conhecimento. Como posso conhecer o mundo externo? Aparece-me aos sentidos sensíveis, mas eles não podem falhar?

Qualquer dúvida, pergunta nos comentários. Abraço!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

# 19 - Os pré-socráticos


Amigos, estou com dificuldade ultimamente de reunir o pessoal da faculdade para gravarmos a filmagem no boteco como tradicionalmente acontece. Erich, grande amigo, mudou-se para Bagé e raramente vem para a capital, outros estão atarefados com seus mestrados ou doutorados, outros envolvidos com seus trabalhos e outros, simplesmente, não vão com minha cara. Assim que puder, ainda que demore, postarei filmagens com eles no boteco novamente. Por enquanto, vou postar filmagens solo em formato de aula para o brog não ficar a ermo.

Os pré-socráticos são os filósofos que antecederam Sócrates, uma das três grandes cabeças da filosofia na Grécia antiga (com Platão e Aristóteles). Eles mediaram a transição da Grécia mítica à filosófica, efetivada com Sócrates. São, basicamente, quatro escolas:

Milesianos (Tales, Anaximandro e Anaxímenes): procuram o elemento básico que constitui todas as coisas materiais.

Eleatas (Parmênides, Zenão e Melisso):o ser, em sua totalidade, é uno e imóvel. A multiplicidade de coisas vistas assim como o movimento delas são ilusões da mente.

Pitagóricos: os números são o fundamento do mundo, todas as coisas são números ou derivadas de números. Acreditam nisso por causa da harmonia do mundo e da harmonia dos números.

Atomistas (Demócrito, Leucipo): o mundo é composto de átomos. É semelhante ao paradigma materialista da atualidade. Os átomos andarilham pelo universo, unem-se e compõe os objetos materiais.

Também temos dois grandes pensadores avulsos, sem escolas:

Heráclito: antagonista teórico de Parmênides, ele acreditava que tudo flui, tudo muda constantemente e nada é o mesmo do que o instante anterior. O elemento básico para ele é o fogo: pois destroi e muda as coisas.

Empédocles: uniu a filosofia de diversos deles. As coisas são compostas por quatro elementos fundamentais: água, ar, terra e fogo. O movimento das coisas é explicado por dois princípios Amor (união) e Ódio (repulsa).

Até a próxima!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

# 18 - Filosofia oriental

Alô, moçada! Agora falamos de filosofia oriental.

No início, questionamos se a filosofia oriental pode ser chamada com propriedade de filosofia, já que, tecnicamente, filosofia designa o nascimento do crédito sobre a razão para explicar o mundo na Grécia antiga. Na filosofia grega, a qual é paradigma da filosofia ocidental em geral, a razão é instrumento mestre para apreender a verdade. A filosofia oriental desacredita na razão enquanto meio para apreender a verdade essencial do mundo. Para tanto, a intuição parece ter um papel muito mais importante.

Posteriormente, adentramo-nos na própria filosofia oriental. A ocidental normalmente é dualista. Isso quer dizer que existem dois princípios de ordem diferente e que se interagem: a mente (ou a alma) e o corpo, o sujeito e o objeto, o Eu e o mundo. A oriental ultrapassa esse modo de pensar: o Eu e o mundo estão misturados e são um. Essa separação feita pela ocidental é causa de sofrimento através do desentendimento da essência única e interdependente do mundo: o sujeito e o objeto são um.

Depois conversamos sobre como a filosofia oriental entende o mundo "colorido" que nos aparece: é de verdade ou é uma ilusão? A árvore que vejo é ôntica (real) ou é um dado da "Matrix"? Independente da reposta, a filosofia oriental é subjetivista. Ou seja, o modo como vejo o mundo é uma verdade e outra pessoa pode ter outro modo de ver o mundo: não há uma verdade absoluta, a qual é "a menina dos olhos" da filosofia ocidental.

Convidado: Luis Paulo Dull Junior - (email: jrdull@hotmail.com) Conselheiro Tutelar de Porto Alegre e recandidato ao mesmo cargo (número 08980). Mais informações: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/conselhos_tutelares/
votação dia 10 de Abril.

Parte 1


Parte 2

domingo, 19 de dezembro de 2010

# 17 - Metafísica


Vou tentar não definir coisa alguma "definitivamente" porque meu colega e eu temos definições diferentes sobre o tema. Começamos o vídeo tentando achar uma apropriada definição de metafísica. Tradicionalmente, metafísica é a ciência do ser enquanto ser. Isso quer dizer que é uma ciência que abrange todo o escopo do ser e não, como nas ciências normais, apenas em relação a uma parte do ser (como a psicologia estuda a mente e a geologia estuda a terra). Porém, na modernidade, a metafísica foi desacreditada enquanto ciência e a acepção de ciência veio a ser a que se tem atualmente. Para Kant (1724-1804), quando a metafísica deixa de ser ciência, então seu conteúdo não pode ser conhecimento, pois o conhecimento é resultado da ciência. Numa definição etimológica, pode-se entender metafísica (meta + física = além da natureza) como o estudo sobre o que há além dos dados sensíveis. Estes, os dados sensíveis, são objeto de estudo das ciências. Exemplo de coisas que não são objeto de estudo da ciência e sim da metafísica: Deus, alma, liberdade, causalidade. A causalidade, por exemplo, é pressuposta pela ciência.

Posteriormente, discutimos sobre a relação da religião com a metafísica. Cada religião tem seu sistema de metafísica (tais deuses e tais anjos). A questão que viemos a nos ater foi se, desse sistema de metafísica, poder-se-ia derivar um código de ética. Ou se o código de ética é independente do sistema de metafísica.

Feliz Natal e feliz ano novo! Até ano que vem! Om mani peme hung!

domingo, 17 de outubro de 2010

# 16 - Ceticismo (ou Pirronismo)


Olá, querido amigo do saber! Nesta postagem, debatemos sobre o ceticismo. Esse termo vem do grego skepsis, que significa 'busca'. Skepticós, que deriva o termo 'cético', é o buscador. No caso, estamos falando da verdade. Diferentemente do que muitos pensam, o cético não acredita e tampouco não não acredita. Sua doutrina fundamental é a de que o conhecimento é impossível, qualquer que seja o tipo de conhecimento. Por exemplo, ele não acredita na existência de Deus e não acredita na inexistência de Deus. Sua atitude perante o saber é a de suspensão de juízo, ou seja, não acreditar em coisa alguma. Essa atitude deriva a ataraxia, ou tranquilidade. A suspensão de juízo no ceticismo cobre aspectos dos fatos e da moralidade. Não posso dizer que tal coisa é verdadeiro ou falso e, tampouco, certo ou errado. O argumento principal do cético sobre a impossibilidade de saber é o de que nossa mente não tem alcance suficiente para qualquer conhecimento. Descartes afirmava que a propriedade essencial do conhecimento é a indubitabilidade. Se é conhecimento, então é indubitável. Para o cético, todo conhecimento é dubitável, inclusive os sobre dados sensíveis.

Na filosofia, para ser conhecimento, deve haver uma justificativa. Tenho de responder o por quê. Outro argumento, aparentemente fatal, do cético para a impossibilidade do saber é o do trilema da justificativa. São três demonstrações de que a resposta à pergunta por que? é vazia e irracional.

Regresso ao infinito: Afirmo que a. Por que a? Por b. Por que b? Por c. Por que c? Por d. ...
ad infinitum.
Circularidade: Afirmo que a. Por que a? Por b. Por que b? Por c. Por que c? Por a.
Dogmatismo: Afirmo que a. Por que a? Por b. Por que b? Por c. Por que c? Não tem por quê: é um dogma.

Participação:
Joel Pereira, licenciado em filosofia - UFRGS
Mariana Neumann - historiadora e arqueóloga - UFRGS
Leandro de los Santos, licenciado em filosofia - UFRGS


terça-feira, 17 de agosto de 2010

# 15 - Anarquismo


Alô, querido pensador! Nesta postagem, refletimos sobre a necessidade de um governo que nos controle. Para tanto, no primeiro vídeo, voltamos ao tema sobre a natureza humana. Ela fundamenta qualquer sistema político escolhido. A nossa forma de governo pressupõe a acepção hobbesiana de natureza humana, onde o homem é naturalmente mau.

A alternativa à tal acepção de natureza humana é a acepção de Rousseau, onde o homem é bom naturamente. Essa acepção funda a forma de governo onde não há governo: a anarquia, sobre a qual ativemo-nos no segundo vídeo. Cada pessoa teria noção suficiente para não precisar de polícia e para a comunidade viver em paz. Nessa acepção, o Estado não-anárquico tem por fim ou meio a coerção do cidadão. Um grande abraço a todos queridos admiradores do blog! E comente, tentemos sempre continuar o debate!

R.I.P. Carlito's Bar (2002-2010)

Convidado: Tistu Matos da Silva, o Tistógenes, ou Homem-megafone, um mal necessário,
licenciado em filosofia (UFRGS) e autor do livro de poesia
Fragmentos do caderno de notas do Dr. Mehr Diña.

Parte 1


Parte 2

quinta-feira, 24 de junho de 2010

# 14 - A condição humana


Olá, querido amante do saber! Nesta postagem discorremos sobre a condição humana. Hannah Arendt, na sua obra homônima, afirma que a natureza humana difere da condição humana. Não levamos muito em conta essa diferença e não nos ativemo nesta obra, mas ela serve como leitura sobre tal conceito.

A condição humana é as circunstâncias nas quais o homem é inserido em sua existência. Tais circunstâncias participam da identidade do sujeito.

Listamos algumas nesta filmagem:

1. circunstância social e familiar: o contexto social e cultural onde somos inseridos participa de nossa identidade, assim como a herança comportamental nos imputada pela família.

2. a mortalidade: morreremos, o que causa-nos angústia e impotência.

3. o princípio da escassez: mesmo que tenhamos comida para todos, ela não é distribuída. Disputas e competições derivam disso.

4. a finitude racional do homem: não podemos entender algo contraditório. Não consigo imaginar um quadrado redondo. Nossa razão é limitada pelas leis lógicas.

Participantes:
Anne Lee - estudante de psicologia
Erich - filósofo e estudante de psicologia
Daniel - historiador
Gabriel - filósofo

Parte 1



Parte 2



Parte 3